Durante festividades do Jubileu do Senhor Bom Jesus em Congonhas, na região Central de Minas, romeiros de diversas cidades que integram a Arquidiocese de Mariana participaram do 30° Grito dos Excluídos e Excluídas. A manifestação aconteceu na manhã do último sábado (07/09), e reuniu membros das pastorais sociais, Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), catequistas, movimentos populares, sindicalistas, autoridades civis e a Folia de Reis Sagrada Família de Acaiaca (MG). sacerdotes e seminaristas da Arquidiocese também estiveram presentes.
No decorrer da manifestação, romeiros, com gritos de “vida em primeiro lugar”, saíram em defesa do Rio Paraopeba e contra a mineração predatória. O ato teve início em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, quando os presentes participaram de momentos de animação e falas sobre o lema do 30º Grito dos Excluídos e Excluídas: “Todas as formas de vida importam. Mas quem se importa?”.
Na ocasião, a juventude da Arquidiocese de Mariana também esteve representada. Para Giovanni Santiago, a participação dos jovens no Grito é essencial, pois é também um espaço de atuação da Pastoral da Juventude (PJ), da qual faz parte Paróquia Santa Efigênia, em Ouro Preto (MG).
“Já tivemos campanhas como a do ‘Enfrentamento ao ciclo de violência contra os Jovens’ e ocupar espaços em que podemos lutar juntos a outras pessoas que também estão nessa luta para com os excluídos é importante”, defende.
Sob sol quente e o ar seco, devido às queimadas que atingem a região, os peregrinos caminharam cerca de um quilômetro em direção à Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, onde, aos pés do Bom Jesus, elevaram suas preces e súplicas em favor da vida e da Casa Comum.
“Congonhas é o lugar da romaria, é onde está o Bom Jesus. O Bom Jesus é Aquele que acolhe a todos, a começar dos pequenos, dos mais necessitados. Nada mais eloquente do que o amor do Bom Jesus para incluir aqueles que são excluídos e excluídas”, explica o Coordenador Arquidiocesano da Dimensão Sociopolítica, Padre Marcelo Moreira Santiago, o porquê de a cidade dos profetas ter sido escolhida para acolher o ato nesta Igreja Particular.
Comemorando, em 2024, 30 anos de luta e resistência, o Grito dos Excluídos e Excluídas foi desde o princípio abraçado pela Arquidiocese de Mariana. “São 30 anos de caminhada, de resistência, de luta, de fé, de esperança, de mobilização popular e nós queremos dizer que, sim, todas as formas de vida importam, a começar dos mais sofridos e necessitados, da vida humana e da vida do planeta”, recorda Padre Marcelo.
Com a sua primeira edição realizada durante o pastoreio de Dom Luciano Mendes de Almeida como Arcebispo Metropolitano de Mariana, o nome e a presença do Servo de Deus foram evocados durante o ato.
Com gritos de “Dom Luciano vive na luta do povo!”, os peregrinos recordaram a vida e ministério do doce e bom pastor de Mariana. “Tudo aquilo que ele nos ensinou, graças a Deus, a gente procura reavivar aqui, no Grito dos Excluídos e Excluídas”, disse, emocionado, Padre Juquinha.
Após mais alguns momentos de fala e animação na Praça da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, os peregrinos do 30º Grito dos Excluídos e Excluídas participaram da santa missa junto aos demais romeiros do 243º Jubileu de Congonhas.
A celebração eucarística foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, e concelebrada pelos demais presbíteros presentes, incluindo o Reitor da Basílica, Monsenhor Nedson Pereira de Assis, e Padre Marcelo Moreira Santiago.
Na homilia, refletindo sobre o evangelho de Mateus (25, 31-46), que retrata as obras de misericórdia, Dom Airton lembrou que tudo está conectado e que o cuidado com a Casa Comum é também cuidar e amar ao próximo.
“Hoje, ouvindo esse trecho do Evangelho que fala do julgamento final, nós temos que nos perguntar: fome, tristeza, desamor, violência, de quem é a culpa disso? Como nós estamos trabalhando para que isso não aconteça? […] Todos nós temos que ter responsabilidade e lutar para que os dias sejam melhores. […] Tudo isto está conectado: a natureza, o ser humano, aquilo que Deus fez a sua imagem e semelhança, que somos nós, a nossa vida. Tudo está ligado uma coisa na outra e tem consequência”, ponderou Dom Airton.




Com informações: Arquidiocese de Mariana.

































