A execução brutal da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, dentro de seu apartamento em Barbacena, no Campo das Vertentes, gerou uma onda de revolta. O corpo de Letícia foi velado no Grupo Resende até às 10h de hoje (29/06) e o sepultamento aconteceu no Cemitério Parque Repouso da Saudade, em Barbacena. Diante da gravidade dos fatos, a prisão do suspeito ter praticado o feminicídio foi convertida em prisão preventiva após pedido apresentado pelo promotor de justiça Vinícius de Souza Chaves.
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Para além das declarações de pesar direcionadas a familiares e amigos, tom geral é de indignação diante de um crime cometido com violência extrema em Barbacena.
Letícia foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, após amigos estranharem o desaparecimento dela. Uma amiga contou que enviou mensagens pelo WhatsApp ao longo da tarde de sábado, mas não recebeu resposta, comportamento considerado incomum.
A perícia da Polícia Civil identificou diversas perfurações causadas por arma branca em várias partes do corpo da vítima: cabeça, nuca, pescoço, costas, orelhas e mãos. Letícia deixa órfãos dois filhos adolescentes e será sepultada nesta segunda-feira (29/6).
O namorado, de 24 anos, também estudante de medicina, é o principal suspeito do crime. Pessoas próximas relataram que o relacionamento era marcado por discussões e que o jovem já havia apresentado comportamento agressivo.
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Em fevereiro deste ano, Letícia registrou um boletim de ocorrência contra o namorado. Segundo o registro, ela relatou ter sido ameaçada pelo namorado, que demonstrava ciúmes excessivos.
Letícia tinha 40 anos e cursava Medicina. Faltava cerca de um ano para concluir a graduação. Ela deixa dois filhos, de 18 e 12 anos, de um relacionamento anterior.
“Uma vida interrompida, filhos órfãos, uma mãe chorando, sonhos desfeitos e muita crueldade! Sinto muito por você, Letícia! Você será recebida por Deus, não tenho dúvidas! Agora esperamos por justiça aqui nesta terra”, escreveu uma mulher. “Inacreditável. Que dor perder mais uma de nós!”, publicou outra.
Entre as centenas de comentários há também aquelas mulheres que chamaram a atenção para a importância de se denunciar o agressor.
“Mulheres, entendam: no primeiro sinal de desrespeito — seja em um grito, segurar seu braço ou dizer coisas pesadas na hora da raiva —, denunciem, falem com amigos e familiares. Talvez você esteja presa em um ciclo abusivo com dependência emocional, mas os familiares podem ajudar”, alertou uma mulher em um comentário que se soma a muitos outros com conselhos similares.
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Faculdade se manifesta
Em nota, a Faculdade de Medicina de Barbacena lamentou o falecimento da estudante e manifestou solidariedade aos familiares e amigos.
“A Faculdade de Medicina de Barbacena manifesta, com profundo pesar, o falecimento de Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, acadêmica desta Instituição, cuja perda causa imensa tristeza em toda a comunidade acadêmica”, diz um trecho da nota.
A instituição afirmou ainda que a Presidência, a Direção, professores e funcionários prestam “os mais sinceros sentimentos aos familiares e amigos” da estudante.
Feminicídio
O relatório Retratos do Feminicídio no Brasil, publicado em 4 de março deste ano pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no país em 2025. Esse número representa crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Em cerca de 80% dos casos, o crime de gênero foi cometido por companheiros ou ex-parceiros das vítimas, segundo o relatório.
Desde a tipificação da lei do feminicídio (Lei 13.104, de 9 de março de 2015), ao menos 13.703 mulheres já foram assassinadas por sua condição de ser mulher.

Com informações: Itatiaia e Estado de Minas/foto: Reprodução/redes sociais.
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