Após circular por seis estados brasileiros e receber o Prêmio Shell 2026 (Melhor Iluminação), além de indicações de Melhor Dramaturgia e Melhor Espetáculo (Prêmio APCA), um dos principais nomes do teatro mineiro abre circulação com seu novo trabalho, pelo interior de Minas Gerais.
Nos dias 21 e 22/10, o Grupo Quatroloscinco Teatro do Comum (Belo Horizonte) dá início em São João Del Rei (MG), à sua turnê de estreia por Minas Gerais, com o premiado trabalho “Velocidade” (Prêmio Shell) que também recebeu indicações ao Prêmio APCA (Melhor Espetáculo e Melhor Dramaturgia). Dirigido por Ítalo Laureano e pelo cineasta Ricardo Alves Júnior, com dramaturgia de Marcos Coletta e Assis Benevenuto, a peça reflete de forma poética sobre a efemeridade da vida e a rapidez dos tempos. As apresentações acontecem às 20h, no Teatro Municipal da cidade (Centro). No dia 21 de outubro a sessão será seguida de bate-papo e conta com interpretação em Libras.
Além das apresentações, o grupo promove a oficina “Práticas de um Teatro do Comum” que acontece no dia 22/10, das 13h às 17h, também no Teatro Municipal. Para retirar o ingresso gratuito do espetáculo ou para se inscrever na oficina, basta acessar o site www.quatroloscinco.com.
Fundado em 2007, o Grupo Quatroloscinco é hoje um dos principais nomes do teatro mineiro, com dez espetáculos apresentados em 21 estados do Brasil, além de Cuba, Uruguai e Argentina.
Após SJDR, nos próximos meses, a companhia mineira também levará “Velocidade”, pela primeira vez, a Ipatinga, Governador Valadares, Uberaba e Uberlândia. As sessões também contam com intérprete de Libras e bate-papo aberto ao público..
Este projeto é realizado com patrocínio da Cemig por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.
O Espetáculo
Como subverter o tempo e a velocidade das coisas a partir da arte? Essa reflexão, encontrada no texto “Notas sobre os doentes de velocidade”, da autora mexicana Vivian Abenshushan, se tornou o ponto de partida para o novo espetáculo do grupo. “Vivian discorre sobre a sociedade contemporânea, que tem estabelecido uma relação patológica com o tempo. Ela diz que a literatura e as artes são máquinas de desacelerar o tempo. Percebemos que a metáfora encaixava bem com o que queríamos dizer enquanto coletivo, neste momento da nossa trajetória”, conta Marcos Coletta, ator e dramaturgo.
Durante as pesquisas, o grupo dialogou com outras referências, como o “Oráculo da Noite” do Sidarta Ribeiro, a música e os clipes da Laurie Anderson, textos de Paul Preciado e o filme “Poesia Sem Fim” de Alejandro Jodorowsky. “Também mergulhamos nos nossos sonhos pessoais e criamos uma dramaturgiaque consideramos um livro-sonho-poema: não nos prendemos a uma história linear ou à lógica dramática. É uma peça mais onírica, poética, onde brincamos de acelerar e dilatar o tempo. Imagens que vêm e vão, rastros de memória, lapsos de imagens que aparecem, memórias inventadas, memórias reais”, explica.
Em cena estão as atrizes/atores Assis Benevenuto, Ítalo Laureano, Marcos Coletta, Michele Bernardino e Marina Viana. O espetáculo está estruturado como as partes de um livro: capa, prefácio, dedicatória, sete partes e verso da capa. Nas sete, aparecem situações diversas que tratam da relação humana com o tempo, muitas delas passando pelas relações familiares, rotina de vida no mundo capitalista, relações de trabalho e a morte.
Conversando com a ideia de uma peça-livro, a cenografia coloca no centro do palco, uma mesa que funciona como página, onde os atores escrevem os títulos das cenas e mostram ao público, mas que também serve como um elemento que se desdobra em cena. “Essa ideia de uma peça-sonho-poema necessita que o espaço, os figurinos, os objetos de cena, possam ser transformados: precisam estar em cena, mas também precisam desaparecer. Não pode ser aquele cenário fixo, pesado, que imprime apenas uma ideia”, explica Assis Benevenuto, ator e dramaturgo.
Nesta montagem, o grupo também utiliza, em diversos momentos do espetáculo, cinco bonecos, como na cena talk-show. “Chamamos essa parte de Queda Livre. Cada boneco entrevista o seu duplo (ator/personagem). É uma cena absurda, veloz, onde os bonecos são mais sagazes do que nós”, comenta Assis.
Confeccionados em madeira pelo artista Agnaldo Silva, os bonecos são pequenas reproduções de cada ator/atriz. Segundo o diretor Ítalo Laureano, a proposta não é fazer Teatro de Bonecos. “Nos interessa mais a relação que o espectador cria ao nos ver ali, em miniatura, como avatares, como espelhos, como objetos ‘ficcionalizados’ e descolados de nós mesmos”, explica.
Prêmio Shell – Melhor Iluminação
Marina Arthuzzi assina a iluminação de “Velocidade”. Parceira do grupo desde os primórdios, a artista já criou as luzes de “É só uma Formalidade” (2009), “Outro Lado” (2011), “Get Out” (2013), “Humor” (2014), “Tragédia” (2019), “Apossinarmológuissi” (2023) e “Luz e Neblina” (2024). Juntos, venceram o prêmio Copasa/Sinparc de Artes Cênicas de Melhor Luz no espetáculo “Humor”. Em “Velocidade”, Ítalo Laureano conta que Marina desenvolveu dispositivos não convencionais para criar efeitos de luz e sombra, trazendo a manipulação de alguns deles para as mãos dos atores. “As luzes que a Marina cria para o Quatroloscinco são operadas de forma manual: ela sempre joga com a intensidade da ação dramática, fazendo uma luz ao vivo e viva, pois o teatro não se repete. Cada dia é realizado com diferentes sutilezas”, comenta.
Oficina
Em todas as cidades da circulação, o Quatroloscinco oferecerá a oficina “Práticas de um Teatro do Comum”, que propõe um espaço de encontro e partilha sobre os procedimentos de criação, dramaturgia e encenação que marcam a identidade do grupo. Com quase duas décadas de trajetória, o Quatroloscinco convida artistas, estudantes, profissionais da cena e interessados em geral para uma imersão nos processos e conceitos de sua pesquisa teatral. Público-alvo: Atores, atrizes, artistas em formação e interessados em criação cênica (a partir de 16 anos). Vagas: 20 participantes. Carga horária: 4 horas. Inscrição gratuita em www.quatroloscinco.com
Quatroloscinco Teatro do Comum
Com 19 anos de trajetória, o Grupo Quatroloscinco mantém trabalho continuado de pesquisa e prática teatral, baseado na criação coletiva e autoral sob uma estética contemporânea. O grupo busca uma cena centrada no jogo entre os atores, na relação com o texto e no encontro com o espectador. Surgido como um coletivo de pesquisa de alunos de Teatro da UFMG, o Quatroloscinco se tornou um dos mais destacados nomes do teatro mineiro, conquistando prêmios, circulando em dezenas de festivais e realizando ações em 98 cidades de 21 estados do país, além de Cuba, Uruguai e Argentina. Criou as peças “Velocidade”, “Luz e Neblina”, “Apossinarmológuissi”, “Tragédia”, “Fauna”, “Ignorância”, “Humor”, “Get Out!”, “Outro Lado” e “É só uma Formalidade”, que receberam 13 prêmios e 26 indicações. Também publicou sete livros com a dramaturgia de seus espetáculos.
Cemig
A Cemig segue ampliando o incentivo ao setor cultural de Minas Gerais, patrocinando diferentes expressões artísticas em todas as regiões do estado. Democratizar, descentralizar e ampliar o acesso às práticas culturais é um compromisso da companhia com a arte mineira. Ao incentivar a cultura, a Cemig fortalece a tradição, a memória e as raízes, sem deixar de ter a inovação e a tecnologia como aliadas. Estar ao lado da cultura de Minas Gerais é contribuir para a valorização da identidade, para o desenvolvimento do estado, para a movimentação da economia criativa e para a geração de emprego e renda.
SERVIÇO
Espetáculo “Velocidade”
21/10, quarta – 20h (sessão com acessibilidade em libras, seguida de bate-papo)
22/10, quinta-feira – 20h
Local: Teatro Municipal – Av. Hermílio Alves, 170 (Sem/Nº), Centro
Entrada gratuita mediante retirada pelo www.quatroloscinco.com
Oficina “Práticas de um Teatro do Comum”
22/10, quinta-feira – 13h às 17h
Público-alvo: Atores, atrizes, artistas em formação e interessados em criação cênica (a partir de 16 anos).
Vagas: 20 participantes.
Carga horária: 4 horas.

Com informações: Beatriz França/foto: Guto Muniz.
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