O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu, neste domingo (25/10), o que pode ser considerada a maior façanha eleitoral de seus mais de 40 anos de carreira política: pela primeira vez, um candidato à Presidência da República se elege após terminar o primeiro turno atrás de seu adversário. Lula venceu as eleições com 51,77% dos votos válidos das 99,90% seções totalizadas, enquanto o senador Flávio Bolsonaro ficou com 48,23% dos votos.
Em Barbacena, Lula conquistou 43.742 votos, correspondentes a 56,75% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 33.332 votos, equivalente a 43,25%.
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Em São João del-Rei, Flávio recebeu 27.777 votos, o equivalente a 50,12% dos votos válidos. Lula somou 27.644 votos, ou 49,88%. A diferença foi de apenas 133 votos. Já em Conselheiro Lafaiete, na região Central do estado, Lula venceu as eleições com 56,44% dos votos válidos (43.663 votos), contra 43,56% (33.441) de Flávio Bolsonaro.
Durante os 21 dias de campanha no segundo turno, Lula teve que reverter um quadro de desânimo e “caça às bruxas” que dominou seu entorno logo após o primeiro turno. A partir daí, veio uma mudança de estratégia, com maior presença do presidente nas redes sociais e uma forte campanha de “desconstrução” de Flávio Bolsonaro, com críticas a pontos de seu programa de governo e a declarações do candidato adversário. Atos de rua em grandes capitais também impulsionaram a reação.
A mudança de rumos também se deu após lideranças do Nordeste ingressarem de cabeça na disputa, como o senador Camilo Santana (PT-CE), que assumiu a coordenação da campanha ao lado do presidente do PT, Edinho Silva, alvo de críticas do próprio Lula após os resultados do primeiro turno.
No segundo turno, a campanha petista também intensificou a comunicação digital e deu mais protagonismo a lideranças de jovens, como os eleitos deputados federais, a mineira Ana Elisa (PT), Jones Manoel (Psol-PE), Erika Hilton (Psol-SP) e o eleito deputado estadual Guilherme Cortez (Psol-SP).
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Durante os 21 dias de campanha no segundo turno, Lula teve que reverter um quadro de desânimo e “caça às bruxas” que dominou seu entorno logo após o primeiro turno. A partir daí, veio uma mudança de estratégia, com maior presença do presidente nas redes sociais e uma forte campanha de “desconstrução” de Flávio Bolsonaro, com críticas a pontos de seu programa de governo e a declarações do candidato adversário. Atos de rua em grandes capitais também impulsionaram a reação.
Uma das principais ferramentas nessa frente de batalha foi o canal de Whatsapp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que ultrapassou 7 milhões de seguidores. O canal, inclusive, esteve no centro de um debate na Justiça Eleitoral.
A campanha de Lula mudou até mesmo o visual do presidente após o resultado frustrante no primeiro turno. O petista abriu mão do chapéu que havia usado em diversas agendas de rua e em algumas entrevistas, que também caracteriza a foto que aparece na urna eletrônica.
Desafios
Mesmo com a virada no segundo turno, o avanço da direita no Congresso Nacional, sacramentado nas urnas no último dia 4, impõe um outro desafio ao presidente Lula. Caso reeleito, o petista deverá enfrentar dificuldades para aprovar medidas no Poder Legislativo.
No Senado, o PL, maior partido de oposição ao governo, terá 28 cadeiras a partir de 2027, de um total de 81. Os senadores que se declaram mais à direita serão pelo menos 49, o equivalente a 60% dos membros da Casa.
Na Câmara, a bancada deve chegar a 121 deputados, o que representará 23,6% das 513 vagas. Além disso, a bancada de direita avançou sobre o centrão, o que pode dificultar a aprovação de mudanças na Constituição pelo governo Lula.
No entanto, o presidente minimizou a situação. Lula já afirmou que, assim como em seus mandatos anteriores, quando o governo não tinha maioria no Congresso, ele conseguiu aprovar grande parte das pautas.
“Eu fui eleito tendo 70 deputados no meu partido de 513, e tendo nove senadores de 81. E nós aprovamos 99% de tudo que a gente fez aqui no Congresso Nacional, tudo, até uma reforma tributária que havia 40 anos que nós queríamos aprovar. E mais importante, todos os partidos, com exceção do PL, participaram do meu governo”.
“Uma coisa é as eleições que você disputa, mas quando você ganha, você precisa pensar na governabilidade e você precisa construir um bloco que dê sustentação no Congresso Nacional. E nós fizemos isso e aprovamos 99% de tudo que a gente queria aprovar”, disse o petista, em sabatina na TV Globo, no dia 15 de outubro.

Com informações: O Tempo.
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