Família denuncia morte de idoso após tratamento de canal dentário em Santa Cruz de Minas

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Segundo a família, Jorge Moreira Gomes, de 78 anos, sofreu queimaduras químicas por extravasamento de hipoclorito de sódio durante o procedimento odontológico e ficou internado cerca de três meses em São João del-Rei. Conselho de Odontologia acompanha o caso e abriu um processo.

Um aposentado de 78 anos morreu depois de ficar cerca de três meses internado por complicações que, segundo a família, surgiram durante um tratamento de canal dentário em uma clínica odontológica de Santa Cruz de Minas, no Campo das Vertentes.

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Jorge Moreira Gomes passou pelo procedimento no dia 14 de abril, e faleceu no dia 18 de julho, no Hospital de Nossa Senhora das Mercês, em São João del Rei. A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o caso.

À reportagem, a família afirmou que houve extravasamento de hipoclorito de sódio no procedimento e que a substância teria provocado queimaduras químicas e outras complicações de saúde.

O hipoclorito de sódio (NaOCl) é a solução irrigadora mais utilizada em tratamentos de canal dentário. A substância serve para limpar e desinfetar os canais da raiz durante o procedimento e ajuda na eliminação de bactérias e restos de tecido.

Até a última atualização desta publicação, a profissional responsável pelo procedimento não havia sido localizada pela reportagem.

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Em nota, a Clínica Quartzo informou que não concorda com as alegações atribuídas à empresa por entender que elas “não correspondem aos fatos sob a perspectiva técnica dos atendimentos realizados”. A clínica afirmou ainda que “não foram constatadas intercorrências clínicas que indicassem qualquer evento adverso relacionado ao procedimento e que o caso será esclarecido pelas vias competentes”.

Já o Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG) disse que tanto a clínica quanto a cirurgiã-dentista estão regularmente inscritas e habilitadas junto ao órgão. O conselho também explicou que instaurou um processo ético, que tramita sob sigilo, conforme prevê a legislação.

A reportagem também entrou em contato com o Hospital Nossa Senhora das Mercês para saber se a unidade gostaria de se manifestar sobre o caso, mas as ligações não foram atendidas. Veja mais abaixo os pronunciamentos na íntegra.

Dor intensa após tratamento dentário

De acordo com a família, Jorge voltou à clínica no dia seguinte ao tratamento de canal e relatou dor intensa e sensação de queimadura. A dentista teria prescrito medicamentos, incluindo um antibiótico, mas o quadro piorou.

No fim da mesma semana, o aposentado procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Cruz de Minas e, diante da gravidade do caso, foi transferido para o Hospital de Nossa Senhora das Mercês, em São João del-Rei, onde ficou internado por cerca de três meses.

Um boletim médico ao qual a reportagem teve acesso informa que Jorge deu entrada na unidade no dia 18 de abril com queimadura química na cavidade oral e infecção na face após um acidente em um procedimento odontológico ambulatorial. Confira na imagem abaixo.

O cirurgião bucomaxilofacial que acompanhou o paciente no hospital apontou a possibilidade de as lesões terem sido causadas pelo extravasamento de hipoclorito de sódio durante o tratamento de canal dentário.

O tratamento de canal é um procedimento que remove a polpa inflamada ou infectada de dentro do dente, limpa e sela o espaço para aliviar a dor e preservar o dente natural.

Ainda conforme o registro policial, logo após o tratamento, o aposentado também apresentou perda temporária da visão, da audição e dos movimentos das pernas.

Quadro de saúde se agravou em pouco tempo, diz família

A neta Rayssa Danielly Nascimento Costa contou à reportagem que a equipe médica tentou confirmar com a dentista se houve vazamento da substância. No entanto, a profissional informou apenas que poderia ter ocorrido um pequeno extravasamento, sem confirmar a hipótese.

Depois, ainda conforme os familiares, Gabriela Ávila deixou de tratar do caso diretamente e passou a informar que qualquer contato deveria ser feito por meio do advogado.

Durante a internação, Jorge apresentou insuficiência respiratória, rebaixamento do nível de consciência e outras complicações. Ele permaneceu por um longo período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, depois, foi transferido para a Unidade de Cuidados Prolongados (UCP).

Segundo a família, o idoso ficou com traqueostomia, totalmente dependente de cuidados e sem capacidade para realizar atividades da vida diária.

A morte foi registrada em 18 de julho, e o atestado de óbito aponta como causa “morte natural de causa indeterminada”.

CRO-MG abre processo

Em nota, o CRO-MG informou que tomou conhecimento do caso e que, diante da gravidade dos relatos sobre uma suposta intercorrência relacionada ao extravasamento de solução irrigadora e ao posterior óbito do paciente, determinou o envio imediato de uma equipe de fiscalização à clínica.

O órgão também manifestou solidariedade à família de Jorge e informou que acompanhará a apuração do caso.

Nota na íntegra da Clínica Quartzo

“A Clínica Quartzo vem a público esclarecer que pauta todas as suas atividades pelos mais elevados padrões éticos, técnicos e científicos, observando rigorosamente a legislação vigente, as normas dos órgãos de classe e os protocolos aplicáveis à assistência em saúde.

A segurança, o respeito e o bem-estar dos pacientes sempre constituíram os princípios norteadores da atuação da Clínica e de sua equipe profissional.

Em relação às informações recentemente divulgadas, a Clínica informa que não concorda com as alegações que lhe foram atribuídas, por entender que elas não correspondem aos fatos sob a perspectiva técnica dos atendimentos realizados. Ressalta, ainda, que, durante o procedimento em questão, não foram constatadas intercorrências clínicas que indicassem qualquer evento adverso relacionado ao ato praticado.

A Clínica reafirma seu compromisso com a transparência e com o devido processo legal, colocando-se integralmente à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos que se fizerem necessários, bem como apresentar a documentação pertinente para a completa elucidação dos fatos.

A Clínica Quartzo confia que os fatos serão devidamente esclarecidos pelas vias competentes e reitera seu compromisso permanente com a ética, a responsabilidade profissional e a excelência na assistência prestada aos seus pacientes”.

Com informações: G1Zona da Mata/

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