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Professor José Augusto Penna Naves

O RECADO DAS URNAS

Não é porque os votos se dividiram por oito candidatos a prefeito em Barbacena, que o eleito, Luís Álvaro, não terá representatividade, como no calor da derrota tem afirmado os seus adversários. Findo o período eleitoral, cabe que os analistas políticos façam suas considerações sobre o recado das urnas que vai além da votação em si. Vitoriosos e derrotados tendem a impor suas versões, nem sempre totalmente isentas do calor residual das disputas, o que é natural. Como nas guerras prevalece a versão do vencedor, mas, como professor de Ciência Política e no caso de nossa cidade, tento avaliar e analisar o cenário político local de forma real e imparcial, mesmo com firme posição partidária.

No caso, a questão é a margem mínima de votos dos eleitos, fenômeno que ocorreu em quase todas as cidades e o efeito colateral da grande votação direcionada aos votos nulos e brancos, que refletem o desencanto do eleitorado. Daí, restam os votantes ideológicos e aqueles que de fato participam diretamente de grupos políticos: a chamada militância. E isso explica porque o grupo bonifacista, sob a liderança do deputado Andradinha, do prefeito Toninho, e do candidato Luís Álvaro e o grupo do PT, liderado pelo ex-deputado Edson Resende e pelo candidato Kikito se descolaram das outras seis candidaturas a prefeitura que apresentavam propostas difusas, juntando apoiadores vindos das mais diversas correntes em razão do cenário do momento, e não por convicção.

Por isso, ironicamente, numa eleição tida nacionalmente como “contra a política” ou do “não-político”, prevaleceu quem faz de fato a política partidária. E esta depende de lideranças consolidadas e atuantes, mesmo que o momento seja desfavorável pela crise econômica e o ambiente de corrupção reinante no Governo Federal cassado. Outro ponto é que mesmo os mais votados na maioria das cidades, prefeitos e vereadores, receberam numericamente votos que na frieza dos números são infinitamente inferiores ao colégio eleitoral, mas somente na teoria teriam menos representação junto ao povo. Por exemplo, em Barbacena, os vereadores com mais de 1.000 votos, representariam individualmente cerca de 0,01% do eleitorado, que tem 97.946 eleitores inscritos.

Em todo o país, os prefeitos eleitos também receberam seus recados das urnas e devem saber que além de gestões eficientes precisam manter o diálogo, pois a sociedade se cansou das palavras vazias. É preciso sim ter trabalho gerencial que no caso da esfera pública passa sim por entendimento político, bom senso e limites aos interesses pessoais frente aos apelos públicos. Vide a aprovação do atual governo municipal, que elegeu um secretário municipal prefeito. E mostrando sua liderança incontestável, o atual prefeito Toninho Andrada já tem feito seu papel dialogando e construindo pontes para que o jovem futuro prefeito Luís Álvaro possa atuar a partir de um cenário interno estabilizado e favorável para trabalhar. Afinal, quem vence uma eleição passa a representar não só quem nele votou, mas também quem não o fez. Assim é a democracia. E ponto final!

 

José Augusto de Oliveira Penna Naves, é Professor Universitário e Cientista Político.