Pesquisa aponta risco de demissões em massa diante dos prejuízos provocados pelas chuvas extremas
Em Ubá, na Zona da Mata, as chuvas extremas provocaram uma devastação que vai além da infraestrutura urbana. Ao invadirem lojas, fábricas e estabelecimentos de serviços, as enxurradas espalharam lama e deixaram um rastro de perdas no comércio, um dos setores mais atingidos — especialmente no Centro, que, quase uma semana após o temporal, ainda apresenta cenário de destruição. Levantamento da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Ubá (ACIUBÁ) aponta que o impacto financeiro pode chegar a R$ 204 milhões, com reflexos graves no mercado de trabalho e risco de comprometimento de mais de 13 mil postos de emprego, diretos e indiretos, em até 60 dias.
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A pesquisa ouviu 420 empresas locais atingidas pelo desastre climático entre a última quarta e sexta-feira (25 a 27/2). Conforme o relatório, ao qual O TEMPO teve acesso, 72% dos estabelecimentos afirmaram ter sido atingidos de forma grave, com grandes perdas de estoque e móveis destruídos, enquanto 16% registraram perda total. “São mais de R$ 200 milhões em prejuízos declarados por essas empresas. Uma perda que pode atingir dezenas de milhares de vagas de trabalho. O comércio de Ubá foi devastado, mas precisamos recuperar e ajudar esses empresários a se reerguer. Empregos são vidas, são famílias que dependem dessa renda e precisam de apoio”, pondera o presidente da ACIUBÁ, Elias Ricardo Coelho.
Ao traçar severas consequências econômicas no município, o representante reforça a necessidade de apoio imediato ao setor. De fato, 84% das empresas locais apontaram o acesso ao crédito emergencial como prioridade número um para a sobrevivência dos negócios. Segundo cálculo da ACIUBÁ, seria necessário um financiamento entre R$ 78 milhões e R$ 127 milhões para evitar demissões em massa e viabilizar a reconstrução das empresas, com reposição de estoques. “É preciso prorrogar tributos, criar linhas de crédito com acesso especial e carência mais longa, oferecer consultoria financeira, apoio jurídico para regularização de documentos e suporte psicológico”, enumera.
Na avaliação do representante da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas), Silber Silveira, Ubá precisa ser reconstruída. “O estudo mostrou o impacto do temporal em mais de 400 empresas. O comércio local está totalmente comprometido. Várias indústrias moveleiras foram alagadas e estão incapacitadas de operar. Tivemos mais de 15 pontes danificadas na cidade e na região do entorno do Rio Ubá. A cidade precisa de ajuda, principalmente as micro e pequenas empresas, que estão em estado de calamidade”, afirma.
Tanto a Federaminas quanto a ACIUBÁ estiveram no Centro de Ubá conversando com comerciantes. Na Avenida Cristiano Rocas, o comércio precisou ser interditado devido à proximidade com uma cratera aberta na via após dois desabamentos de imóveis. Momentos antes do bloqueio do trecho, o proprietário de uma papelaria no local, Pedro Alves de Barros, de 59 anos, realizava a limpeza da lama com rodos.
“Estamos neste ponto há 19 anos e nunca tinha ocorrido enchente. Como a ponte caiu, a água avançou para dentro — foi uma tragédia. Graças a Deus, nossas perdas foram menores, comparadas às dos colegas que perderam tudo, mas nosso comércio vai demorar um bom tempo para retomar as atividades. Precisamos de ajuda dos órgãos públicos porque, aqui, o cenário parece de guerra”, desabafou o comerciante.
Ubá registra, até o momento, sete mortes causadas pelas chuvas extremas, e uma pessoa segue desaparecida. Além disso, há 27 desabrigados e 4.480 desalojados no município.
A reportagem procurou o município para comentar as ações de retomada e auxílio ao comércio e aguarda retorno. A reportagem será atualizada com a resposta.
Crédito emergencial de R$ 200 milhões para reconstrução
Como parte do pacote de ações para mitigar os danos causados pelos temporais em Minas Gerais, o governo de Minas anunciou a liberação de R$ 200 milhões em linhas de crédito emergenciais por meio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). O recurso é destinado a empresas de todos os portes, cooperativas de produção e produtores do agronegócio situados em cidades que decretaram situação de emergência ou calamidade pública.
“O Estado está fazendo tudo o que está ao alcance para restabelecer a normalidade nos municípios afetados pelas chuvas. Esta medida é mais um apoio fundamental para garantir a reconstrução dessas cidades e recuperação das fontes de renda da população”, disse o governador Romeu Zema (Novo) ao anunciar a medida.
Para os micro e pequenos empresários, o financiamento oferece taxa fixa de 0,9% ao mês, com prazo de 36 meses para pagamento e carência de seis meses. A contratação é feita de forma digital e o recurso pode ser utilizado livremente como capital de giro. Já para as médias e grandes empresas, o acesso depende de decreto federal de calamidade pública no município, oferecendo prazos de até 90 meses para quitar o débito.
De acordo com o presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto, o crédito é determinante para manter os negócios ativos. “O crédito poderá ser utilizado de acordo com as demandas, como na reforma da loja, na recomposição do estoque ou no reforço do fluxo de caixa neste momento delicado, e para que as prefeituras realizem com rapidez as obras emergenciais”, pontuou.
As prefeituras mineiras também foram contempladas com o BDMG Solidário Municípios 2026, que possui taxa de 0,28% ao mês mais Selic e prazo de 120 meses. Visando a celeridade nas obras, o banco liberará imediatamente até 95% do valor contratado.
“Para os empresários e municípios, o socorro também está vindo em forma de empréstimos subsidiados. Isso e uma maneira de os atingidos poderem recorrer a um recurso extraordinário neste momento. As informações já estão disponíveis no site do banco”, informou o vice- governador Mateus Simões (PSD).
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Com informações: O Tempo/foto: Rodney Costa.
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