Parque do Ibitipoca tem risco de queda de rochas de paredão, e Serviço Geológico recomenda interdição

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Documento identificou áreas com risco muito alto de queda de blocos em atrativos turísticos. Parque é um dos principais cartões-postais do estado e recebe, anualmente, cerca de 90 mil visitantes, desde turistas comuns até personalidades e celebridades.

Um dos destinos naturais mais procurados de Minas Gerais, o Parque Estadual do Ibitipoca, em Lima Duarte (Zona da Mata), teve 29 pontos com riscos geológicos identificados em um relatório técnico elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) em 2025.

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Com aproximadamente 1,5 mil hectares de área preservada, o parque é um dos principais cartões-postais do estado e recebe, anualmente, cerca de 90 mil visitantes, desde turistas comuns até personalidades e celebridades.

Entre os locais mais sensíveis está o Paredão de Santo Antônio, na região do Lago das Miragens. No local, os técnicos identificaram rochas com alto grau de fraturamento, blocos instáveis e possibilidade de desplacamento (quando partes da estrutura se desprendem de forma súbita).

Além disso, o documento aponta risco muito alto de queda de rochas, além de outros perigos naturais. Entre as recomendações do SGB estão o monitoramento constante, a restrição de acesso a áreas vulneráveis e a realização de obras de contenção.

Segundo o estudo, os riscos não estão concentrados em uma única área, mas distribuídos por praticamente todo o território analisado. Diante do cenário, o relatório sugere a interdição de locais vulneráveis caso medidas de segurança não sejam implementadas.

O relatório, contudo, não estipula prazos para a ocorrência de eventos geológicos.

Quais são os principais riscos?

O levantamento aponta que a queda de blocos rochosos é o perigo mais recorrente, afetando paredões, trilhas e o interior de grutas. Outros riscos mapeados incluem:

Cabeças d’água: enxurradas repentinas provocadas por chuvas nas cabeceiras dos rios;

Escorregamentos em trilhas íngremes e com solo úmido;

Alagamentos súbitos no interior de grutas;

Instabilidades estruturais em formações rochosas.

Segundo o relatório, há risco de arraste de visitantes, colisões contra rochas e afogamentos, principalmente em áreas de difícil evacuação, como a Janela do Céu e a Cachoeira das Fadas.

Áreas sob alerta e possíveis interdições

O relatório recomenda restrições de acesso e interdições em pontos específicos:

Lago das Miragens: citado como uma das áreas que deveriam permanecer fechadas até a adoção de sistemas de monitoramento ou obras de estabilização. Durante as vistorias, o mirante acima do lago já estava interditado por problemas estruturais.

Gruta do Bocão: estava fechada no período da análise e, segundo o relatório, deve permanecer restrita até que as condições de segurança sejam garantidas.

O estudo ainda sugere a suspensão da visitação em dias de chuva em diversos atrativos e a restrição de acesso a trechos do Circuito das Águas com histórico de queda de rochas.

Medidas recomendadas

Para reduzir os riscos, os técnicos recomendam:

Monitoramento em tempo real das estruturas rochosas;

Inspeções periódicas;

Controle do número de visitantes;

Reforço na sinalização;

Restrição de acesso a áreas instáveis;

Intervenções físicas em pontos críticos.

Em ambientes como grutas, o documento aponta como essenciais o uso de equipamentos de proteção e o acompanhamento por guias. Entre os itens indicados estão:

Capacetes: proteção contra desplacamento de rochas;

Lanternas: auxílio em áreas sem iluminação natural;

Calçados fechados e antiderrapantes;

Roupas adequadas para trilhas.

A orientação é que visitantes recebam instruções de segurança antes de acessar os atrativos e, em locais de maior complexidade geológica, estejam acompanhados por profissionais capacitados.

O que dizem os responsáveis?

O Instituto Estadual de Florestas (IEF) informou que o relatório técnico está em análise e que o tema foi debatido recentemente em reunião do Conselho Consultivo do parque.

Sobre a visitação, informou que o acesso aos atrativos segue rigorosamente as normas estabelecidas no plano de manejo da unidade, garantindo o uso sustentável dos recursos naturais e a preservação da biodiversidade.

“Eventuais restrições seguem critérios técnicos e de conservação definidos no plano de manejo. O IEF reforça que o ordenamento da visitação e o controle da capacidade de carga são fundamentais para assegurar a proteção ambiental e a qualidade da experiência dos visitantes.”

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A reportagem também procurou a Parquetur, concessionária responsável pela gestão do uso público, mas não houve retorno até a última atualização desta matéria.

Nota do IEF na íntegra

“Em relação às recomendações do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o Instituto Estadual de Florestas (IEF) informa que o relatório técnico se encontra em análise. O tema foi debatido em reunião do Conselho Consultivo do Parque Estadual do Ibitipoca realizada recentemente, e as medidas propostas seguem em avaliação pelas equipes técnicas. O estudo do SGB apresenta, de forma preventiva, a recomendação de interdição do Lago das Miragens até a implantação de um sistema de monitoramento e alerta para movimentações do maciço rochoso ou a adoção de soluções de estabilização da escarpa. No entanto, durante as discussões, foi considerado que, neste momento, a interdição não se mostra necessária, uma vez que já existe monitoramento em operação no local, realizado pelo IEF. Os riscos apontados no relatório, como enxurradas e eventual queda de blocos rochosos, são processos naturais característicos do ambiente do Parque Estadual do Ibitipoca, podendo ocorrer, em diferentes níveis, em áreas de escarpa e outros atrativos naturais. O IEF realiza acompanhamento contínuo dessas condições, não havendo, até o momento, registros de movimentações que indiquem instabilidade iminente. A gestão de riscos no Parque está baseada na combinação de monitoramento técnico, sinalização e orientação aos visitantes, no âmbito do Sistema de Gestão de Segurança (SGS), atualmente em implantação. O Instituto reforça que a visitação em ambientes naturais envolve riscos inerentes, sendo fundamental que os visitantes estejam devidamente informados e adotem comportamento responsável. O IEF reafirma seu compromisso com a segurança dos visitantes e com a avaliação contínua das recomendações técnicas, buscando o equilíbrio entre a proteção ambiental e o acesso responsável ao patrimônio natural.”

Com informações: G1 Zona da Mata/foto-dimas-stephan-G1.

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