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Complexo Penitenciário recebe a 5ª edição do Festival da Canção Prisional

Apresentação reuniu em Ribeirão das Neves 19 presos de sete unidades prisionais de MG

Cantando sobre promessas de amor, Daniel Camilo, 27 anos, da Unidade III da PPP, foi o grande vencedor da edição RMBH do Festipri 2018. Ele foi escolhido como a melhor apresentação e o melhor intérprete. A música “Vou te Confessar” é autoral e animou a todos, com direito até a coro da plateia.

Além do troféu, Daniel ganhou um vale gravação de no valor de R$ 1.200 e um contrato de um ano de assessoria musical com uma produtora. O evento foi realizado no Complexo Penitenciário Público Privado, em Ribeirão das Neves.

O segundo lugar ficou com a banda Talentos Além dos Muros, do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, localizado em Contagem, que arrancou lágrimas dos convidados com um rap misturado a outros ritmos que conta a história de vida do vocalista Edilson da Silva. A dupla sertaneja Alexandre e Elias do Presídio Inspetor José Martinho Drumond, de Ribeirão das Neves, ficou com o terceiro lugar da competição.

O campeão se emocionou e não conteve as lágrimas ao agradecer a conquista. “Agradecer a Deus em primeiro lugar. Ter isso aqui é muito gratificante não só para mim, mas para a minha família. Eu estou muito feliz. Só a música e Deus podem nos proporcionar isso tudo, muito obrigado a todos vocês, os professores que sempre me deram toda a força e apoio, a unidade que me ajudou, todo mundo que contribui para eu chegar aqui”.

Grande incentivador do projeto Festipri, o secretário Adjunto de Estado de Administração Prisional, Marcelo Costa, esteve presente no evento e destacou a importância de incentivar a cultura no processo de ressocialização.

“Essa é a maneira correta de demonstrar para as pessoas que todos nós somos seres humanos. Nós precisamos entender que a vingança que a sociedade espera que seja aplicada nessas pessoas presas não precisa ser pela dor, pode ser pela arte. Eu não preciso castigar tirando deles a oportunidade de ser o que é e pretende ser, o que eles estão sendo aqui, quem escolheu foram eles. Nós temos a obrigação de dar chances de eles mostrarem seu talento. A pena vai ser a abertura de oportunidades para que o talento de cada um deles seja desenvolvido” afirma Marcelo.

O projeto busca valorizar as habilidades artísticas e musicais, trabalhando a autoestima, o senso de responsabilidade, o comprometimento e a criatividade dos presos. A cada edição do festival, o troféu recebe o nome de um homenageado.

Desta vez o prêmio homenageou o delegado Estadeu Costa, idealizador do projeto que morreu em 2010. Os concorrentes foram avaliados por sete jurados do ramo da música que analisaram quesitos como letra, música, originalidade e interpretação.

Dentre os jurados estava o consagrado cantor e compositor Celso Adolfo, que teceu elogios à iniciativa. “Isso tem que servir de exemplo para o judiciário, os governos de estado, a sociedade, a fim de entender a importância de fazer dessa maneira, porque eu vi que o resultado é promissor. Esse festival tem que acontecer sempre, nem tanto para buscar um talento, mas o mais bacana é o momento de cada um mostrar os seus sentimentos. Acredito na arte em geral como uma das maneiras de soltar o que há na alma para outras almas” disse Celso.

Outras apresentações

Mais quatro unidades prisionais participaram com apresentações musicais. A Penitenciária José Maria Alkmin, em Ribeirão das Neves, trouxe uma banda composta por dois presos e três agentes, com um rap embalado com palavras de esperança.

Outras duas unidades da PPP também se apresentaram: MC Neguinho cantando um funk sobre sua história e a banda New Talent, com uma canção que mescla inglês e português. O único representante da região centro-oeste do estado, Complexo Penitenciário Doutor Pio Canedo, em Pará de Minas, se apresentou com o preso Márcio que, com o seu violão, cantou sobre a alegria de novos dias.

Encontro de irmãos

O festival foi palco de grandes emoções. Além de se consagrar campeão da competição, Daniel ganhou a oportunidade de cantar novamente com o irmão, Gabriel Camilo, depois de sete anos. A surpresa emocionou a todos os presentes, já que Daniel não sabia da presença do irmão e muito menos que eles se apresentariam juntos.

Gabriel ficou conhecido em todo o Brasil depois de participar de duas competições musicais da TV brasileira, o The Voice Brasil e o Canta Comigo, nesse último ele conquistou o segundo lugar da disputa.

Para Gabriel, ver o irmão voltar para a música e querer mudar de vida é a oportunidade de um novo mundo. “Eu me sinto muito orgulhoso porque a gente não espera que isso vá acontecer aqui, numa unidade prisional, um lugar que parece que não tem esperança, mas me mostrou que tem, e muita. Eu me sinto muito orgulhoso de ver a pessoa que ele tem escolhido se tornar. Eu tenho certeza que ele ainda vai estourar”.

Fonte: Agência Minas/Fotos: Dirceu Aurélio-SEAP.

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