UFJF avalia retratação após UFMG pedir desculpas por uso de corpos de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena

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Universidade Federal de Juiz de Fora diz que ‘reconhece a gravidade das práticas e que vai retratar-se publicamente perante a sociedade brasileira’. Em março, federal de MG assumiu que prática aviltou os corpos e a dignidade de pessoas falecidas no hospital psiquiátrico.

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) informou que realiza uma consulta interna para fazer esclarecimentos sobre a compra de 67 cadáveres de pacientes comercializados pelo Hospital Colônia de Barbacena entre os anos de 1969 e 1981. Os corpos foram usados no ensino de anatomia nos cursos de saúde da instituição.

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A expectativa é que a UFJF siga o exemplo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e faça um pedido de “desculpas à sociedade brasileira” por ter usado os corpos para ensino de anatomia.

“Em respeito ao direito à verdade, à justiça e à memória, a Universidade Federal de Minas Gerais pede desculpas à sociedade brasileira por essa prática que aviltou os corpos e a dignidade de pessoas falecidas no Hospital Colônia de Barbacena”, diz um trecho da declaração, assinada pela então reitora da instituição, Sandra Regina Goulart Almeida, no último dia 18 de março.

Em nota, a UFJF disse que “reconhece a gravidade das práticas ocorridas no século passado, como já manifestado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)” e que, em data oportuna, vai “retratar-se publicamente perante a sociedade brasileira”.

Corpos foram vendidos sem autorização das famílias

A venda de corpos do Hospital Colônia de Barbacena foi abordada no livro “Holocausto brasileiro”, pela escritora juiz-forana Daniela Arbex. Conforme pesquisa da autora, pelo menos 1.857 cadáveres foram vendidos entre 1969 e 1981 para 17 instituições de ensino. Considerando a moeda atual, o valor de cada um seria em torno de R$ 323.

“Essas pessoas não alcançaram valor nem na morte. Elas não foram respeitadas nem após a morte, porque os seus corpos foram vendidos sem o consentimento das famílias”, avaliou a jornalista.

Daniela também comentou o pedido de desculpas publicado pela UFMG: “É o primeiro pedido de desculpas público, e não é qualquer instituição. É talvez a maior universidade federal de Minas, uma das mais importantes, que teve um ato de grandeza que foi reconhecer sua participação nessa barbárie, olhar para o passado e, de alguma forma, produzir algum tipo de reparação”.

Símbolo de violação aos Direitos Humanos

O Hospital Colônia de Barbacena foi fundado em 1903 e ficou marcado como um dos maiores símbolos de violação de direitos humanos no Brasil. Criado para tratar pessoas com transtornos mentais, recebeu milhares de internos sem qualquer diagnóstico.

Os pacientes eram internados compulsoriamente e expostos a situações desumanas. Apenas 30% deles tinham diagnóstico de doença mental – homossexuais, militantes políticos e mulheres que haviam perdido a virgindade antes do casamento também eram mandados para Barbacena.

Ao longo de décadas, cerca de 60 mil pessoas morreram na instituição vítimas de abandono, maus-tratos e condições desumanas. Muitas não tiveram enterro e, em outros casos, foram vendidas para as faculdades.

Além do pedido de desculpas feito pela UFMG, a universidade da capital também se comprometeu com o Ministério Público Federal (MPF) a adotar medidas de reparação, dentre elas, a criação de espaços de memória, a inclusão do tema nas disciplinas e a restauração de registros históricos com a identificação das vítimas.

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Com informações: G1 Zona da Mata.

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