Coluna Januário Basílio: Memória do Transporte Coletivo

A história do transporte coletivo urbano em Barbacena é bem diversificada, ao contrário do que muitos pensam, a cidade já teve várias empresas explorando as linhas urbanas no município.

Durante os meados da década de 80, diversas eram as empresas que exploravam as linhas urbanas. Praticamente, poderíamos até considerar que cada linha era de uma empresa específica, e em algumas poucas exceções, mantinham sobre seus domínios  determinada linhas  de ônibus.

Neste período, as empresas que compreendiam a rede do transporte urbano eram as seguintes: Viação Gomes Ltda, que explorava as linhas Monte Mário e  Ipanema via Merci. As linhas; Santa Cecília, Valentim Prenassi, João Paulo II, Exposição via São Sebastião, pertenciam a Empresa Triunfo. Na época, a Empresa Barraca já mantinha as linhas urbanas:,  Vilela, Vilela Museu, Rodoviária e Circular-Ibiapaba (atual Vila dos Sargentos com itinerário mais extenso), a Viação Boa Vista com a linha Boa Vista. A Viação Santo Antônio, era proprietária das linhas: Roselanche , Santo Antônio e parte das linhas Santa Efigênia e Rodoviária, que pertencia a outra parte a Viação Santa Efigênia. A linha de Campolide  sempre esteve nas mãos da Viação Andréa. O bairro Dom Bosco  era atendido pela empresa de mesmo nome.

Ainda na década de 80,mais precisamente em meados do ano de 1988, começa a entrar no mercado do transporte coletivo de Barbacena  a Empresa Coletivos Barbacena  que pertencia a empresa Santa Inês de Belo Horizonte. Nesta época, ela comprou as linhas Boa Vista e Ipanema via Merci(Viação Gomes). Posteriormente, foi  vez de arrematar as linhas que pertenciam a empresa barraca acima mencionadas.

Passado um pouco mais de tempo, a empresa Triunfo vende suas linhas e também, a garagem no bairro Grogotó a Coletivos Barbacena. Foi neste período que foi implantado pela empresa  o sistema de interligar um bairro ao outro da cidade, sem que o usuário precisasse pegar um outra condução. Por exemplo: antes da implantação deste sistema, um usuário que pegasse o ônibus no bairro Ipanema e tivesse que ir para o bairro Grogotó, ele teria que descer do ônibus no centro da cidade para pegar um outro coletivo até aquele bairro. Ainda na década de 80, a  empresa Transbaixinho Transporte Rodoviário Ltda, que era resultado da fusão entre as empresas, Viação Santa Efigênia e Viação Santo Antônio, torna-se uma única empresa, e conquista a concessão de mais quatro novas linhas que foram implantadas na cidade: Linhas Água Santa, Linha Novo Horizonte, Pinheiro Grosso e São Pedro.

Já na década de 90, a empresa Cidades das Rosas que mudaria de dono por duas vezes, passando   a ser controlada pela Empresa Barraca que mais a frente, adquire as linhas que pertenciam a empresa Transbaixinho.

Mesmo com a Viação Transbaixinho passando a fazer parte do grupo Barraca, ela não foi incluída no sistema bairro-centro-bairro. Permanecendo como era no princípio; apenas  com o coletivo saindo do bairro para o centro e retornando para o mesmo.

De vez enquanto, me pego a lembrar de toda essa história que presenciei durante grande parte da minha infância e adolescência e confesso que era uma aventura andar naqueles ônibus. Isso quando eles não  nos deixava na mão, já que a maioria das ruas da cidade eram de terras e algumas delas, com os calçamentos irregular, . sem falar nas flanelinhas que a gente carregava no bolso pra poder limpar as poltronas antes de se assentar.

Recentemente, as linhas Campolide da Viação Andréa passaram a fazer parte do Grupo Barraca. Em 2015, as Linhas que pertenciam a Viação Gomes foram incorporadas também ao Grupo Barraca.

Tudo isso, não deixa de ser uma grande história, até porque, muitos eram os desafios de se cumprir um itinerário nas ruas quase sempre precárias da nossa cidade. Juntando-se a isso, o veículos que as empresas possuíam, eram todos de segunda linhas, comprados de empresas de cidades grandes em leilões realizados por elas. E quando chegavam a cidade, eram pintados nas cores das empresas. Tinha empresa que não tinham muitas condições em pintar estes “novos” ônibus, que simplesmente apagavam o nome da empresa anterior que existiam na lateral dos veículos, e escreviam o nome da atual empresa e já estavam pronto para circular pelas ruas da cidade.

Confiram na galeria de fotos, um pouco sobre essa importante história do transporte coletivo urbano de Barbacena.